terça-feira, 11 de novembro de 2008

Carta de Severo

Querido Presidente,


Espero que você lembre quem sou. Meu nome é Severo e há muitos anos, viajamos juntos de Salvador para São Paulo. Nos iamos nesse mesmo caminhão de pau-de-arara. Você lembra que nos jogabamos juntos sempre? Lembra aquela vez que o vi com fome e consegui um sanduíche para você? Lembra quando você ia cair-se desse telhado e eu o salvei? Quando aquele menino chamado Tito quis feri-lo e eu escovei-o para fora com uma vassoura? Ele nunca mais o incomodou outra vez.

Bom, agora eu mesmo estou em necessidade de sua ajuda. Fiquei presidario por uma razão injusta. Acusaram-me de matar alguém. Talvez você não pôde lembrar-me bem, mas você conhece meu coração. Eu sou inocente. Minha vida depende de sua decisão.


Com toda honestidade,


Severo

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